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Mercosul - Mercado Comum do Sul
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Tratado de
Assunção
·
Protocolo de
Ouro Preto
·
Êxito
comercial
A criação do Mercosul
surgiu, inicialmente, como zona de livre comércio, estimulada pela
liberalização tarifária gradual, linear e automática acordada por
seus quatro Estados Partes (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).
O segundo passo foi estabelecer os primeiros contornos da União
Aduaneira, com a entrada em vigor em 1o de janeiro de 1995 da Tarifa
Externa Comum (TEC). O rápido progresso obtido pelos países do
Mercosul não se resume apenas a seus associados e, nesse sentido,
deve ser interpretado à luz do princípio de regionalismo aberto
defendido por seus fundadores. A integração regional do Mercosul não
representa uma ação diplomática isolada, visto que pretende
constituir-se como resultado natural e necessário de um longo
processo de aproximação entre os países da América do Sul. A criação
da Associação Latino-Americana de Livre Comércio (Alalc), em 1960,
sua sucessão pela Associação Latino-Americana de Integração (Aladi),
em 1980, e o processo de integração entre Brasil e Argentina,
iniciado com a assinatura da Ata para a Integração
Argentino-Brasileira, em 1986, constituem antecedentes relevantes do
processo de implementação do bloco.
O Tratado de Assunção,
firmado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai em 26 de março de
1991, é o instrumento jurídico fundamental do Mercosul. Como
resultado da utilização dos instrumentos previstos no Tratado, cerca
de 95% do comércio intra-Mercosul realiza-se atualmente livre de
barreiras tarifárias, condição que deve alcançar a totalidade do
comércio intra-regional até o ano 2000. A Tarifa Externa Comum (TEC)
encontra-se definida para praticamente todo o universo tarifário do
Mercosul, tendo sido implementada em grande parte a partir de 1° de
janeiro de 1995. Até 2006, quando termina o período de convergência
ascendente ou descendente das tarifas nacionais que ainda se
encontram em regime de exceção, a TEC estará implementada para a
totalidade do universo tarifário.
A configuração atual
do Mercosul encontra seu marco institucional no Protocolo de Ouro
Preto, assinado pelos quatro países em dezembro de 1994. O Protocolo
reconhece a personalidade jurídica de direito internacional do
bloco, atribuindo-lhe, assim, competência para negociar, em nome
próprio, acordos com terceiros países, grupos de países e organismos
internacionais. Hoje, a compatibilidade jurídica do Mercosul com a
Aladi e com o Gatt, o êxito comercial da integração e o fato de ser
uma entidade dotada de personalidade jurídica garantem a sua
condição de parceiro econômico relevante no plano internacional.
O Mercosul é hoje uma
realidade econômica de dimensões continentais. Somando uma área
total de pouco menos de 12 milhões de quilômetros quadrados, o que
corresponde a mais de quatro vezes a União Européia, o Mercosul
representa um mercado potencial de 200 milhões de habitantes e um
PIB acumulado de mais de 1 Trilhão de dólares, o que o coloca entre
as quatro maiores economias do mundo, logo atrás do Nafta, União
Européia e Japão.
O Mercosul é hoje um
dos principais pólos de atração de investimentos do mundo. As razões
para este sucesso não são poucas: o Mercosul é ao mesmo tempo a
quarta economia mundial e a principal reserva de recursos naturais
do planeta. Suas reservas de energia estão entre as mais
importantes, em especial as de minério e as hidroelétricas. Sua rede
de comunicações é desenvolvida e passa por constante processo de
renovação. Mais de dois milhões de quilômetros de estradas unem
nossas principais cidades e nossas populações viajam através de mais
de seis mil aeroportos. As perspectivas futuras do setor das
comunicações são extremamente promissoras: com a privatização das
principais empresas do ramo, abre-se a possibilidade de exploração
de um mercado muitas vezes maior.
O Mercosul possui,
hoje, um setor industrial dos mais importantes dentre os países em
desenvolvimento, maior, inclusive, do que o de muitos países
considerados "desenvolvidos". A performance econômica da sub-região
tem demonstrado que o Mercosul é hoje uma das economias mais
dinâmicas do mundo. Nossa taxa de crescimento médio para o período
1991/98, da ordem de 3,5%, é bem superior à média mundial. Soma-se a
esses números outro fator importante, que é a estabilidade: no
Mercosul de hoje, a inflação é apenas uma desagradável lembrança.
O Mercosul é hoje um
global trader e,
como tal, tem todo o interesse em manter um relacionamento externo
amplo e variado. Seus quatro países membros têm se preocupado
constantemente em manter uma inserção comercial global, sem
privilegiar um ou outro país, a fim de garantir um escopo maior de
atuação na cena internacional. Suas importações e exportações
distribuem-se, de forma equilibrada, entre as diversas economias do
mundo. Neste sentido, é natural que o Mercosul pratique e respeite
os princípios do regionalismo aberto, na medida em que foi,
originalmente, concebido precisamente para aumentar e melhorar a
participação de suas quatro economias no mercado mundial.
Na agenda externa do
Mercosul, que inclui iniciativas nas esferas latino-americana,
hemisférica e extra-hemisférica, destacam-se os seguintes temas:
·
a negociação
de acordos de livre comércio entre o Mercosul e os demais membros da
Aladi;
·
a
implementação do Acordo-Quadro Inter-regional de Cooperação
Econômica e Comercial, firmado em dezembro de 1995 entre o Mercosul
e a União Européia;
·
a
coordenação de posições no âmbito das negociações com vistas à
formação da Área Hemisférica de Livre Comércio.
A integração comercial
propiciada pelo Mercosul também favoreceu a implantação de
realizações nos mais diferentes setores, como educação, justiça,
cultura, transportes, energia, meio ambiente e agricultura. Neste
sentido, vários acordos foram firmados, incluindo desde o
reconhecimento de títulos universitários e a revalidação de diplomas
até, entre outros, o estabelecimento de protocolos de assistência
mútua em assuntos penais e a criação de um "selo cultural" para
promover a cooperação, o intercâmbio e a maior facilidade no
trânsito aduaneiro de bens culturais.
Países do Cone Sul
·
Argentina
·
Chile
·
Uruguai
·
Paraguai
Desde a constituição
do Mercosul, as relações do Brasil com Argentina, Paraguai e Uruguai
têm-se densificado e diversificado. Hoje, as relações com esses
países atingem dimensão especial também nos planos político e
cultural, o que caracteriza o grupo como ator de peso no cenário
mundial. Processo parecido desenvolve-se em relação ao Chile e à
Bolívia, sobretudo depois que estes países assumiram o "status" de
países associados ao Mercosul, em 1996 e 1997, respectivamente.
O sentido predominante
das relações do Brasil com o Cone Sul é o da integração. Essa
tendência manifesta-se de diversas formas. Atendendo às necessidades
geradas pelo crescente intercâmbio comercial, têm sido prioritários
os esforços no sentido de aprimorar as bases físicas da integração:
construção de pontes, melhoria de estradas, interconexões
energéticas, acordos de transporte aéreo e hidroviário. Igualmente
importantes têm sido as medidas comuns tomadas para eliminar as
barreiras não-tarifárias, facilitar os trâmites comerciais e criar
condições para investimentos recíprocos.
Do ponto de vista do
diálogo diplomático, bastante intenso e de alto nível, nossas
relações são fluidas, baseadas na confiança recíproca e na unidade
de propósitos, e abrangem toda a ampla gama de interesses das
respectivas comunidades.
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